"Nós, os monarcas, somos incontestavelmente constantes em um mundo em constante transformação. Pelo motivo de termos estado sempre aqui, mas também por não nos envolvermos na política cotidiana. Estamos informados das mudanças políticas que acontecem em nossas sociedades, mas não fazemos comentários sobre isso. É nisso que assumimos uma posição única. Nenhum dos outros monarcas europeus interfere na política."

Margarethe II, Rainha da Dinamarca

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Esquerda versus liberdade

por: D. João Henrique de (Orleãns e Bragança) Paraty

Amaior luta do homem sempre foi pela liberdade, uma luta maior do que por um prato de comida.

Quem é livre tem o maior instrumento para a sobrevivência física e moral, já um prato de comida sozinho não se sustenta, ao contrário, muitas vezes ele é usado para calar a boca dos que pensariam em lutar por liberdade. Mas a experiência diz que a liberdade de dizer o que se pensa, a política e a religiosa, é a base para o entendimento, a tolerância e o convívio pacífico com minorias.

E não por acaso os maiores conflitos da Humanidade se deram pela intolerância com a imposição de uma nova cultura e de uma nova religião.

Dessa forma ocorre uma desestruturação social e perda de identidade de uma etnia, de uma comunidade, resultando na fragilidade, na submissão. Tanto o Estado ateu quanto o teocrático têm horror e medo da liberdade.


Página virada na América Latina, infelizmente as ditaduras insistem em voltar mascaradas de esquerda. Nos anos 70 o patriótico discurso da esquerda tinha a democracia e a liberdade como valores

- a partir deles teríamos melhor distribuição de renda, eleições, sindicatos e imprensa livres. Decepcionava-me que muitos tinham como modelo a União Soviética, a China e Cuba, países onde acontecia o oposto, repressão, censura, execuções sumárias e ditadura que como todas, de esquerda e de direita (tem diferença?), tinham líderes entorpecidos pela soberba.

Havia sim, nesses países, grandes avanços na saúde pública, na alfabetização e na formação profissional, não na educação que pressupõe aprendizado com liberdade e não doutrinação ideológica. De qualquer forma, Fidel Castro e Cuba foram um sonho de justiça social e coragem para toda uma geração que acreditava que o mundo podia mudar para melhor. Um contraponto ao capitalismo selvagem e aos valores consumistas do american way of life decadente.



O frustrante para aqueles que acreditaram é que parte da esquerda desde a Revolução Francesa e da Declaração dos Direitos do Homem, até hoje, vive em eterno conflito entre as liberdades e os métodos utilizados e aceitos, de poder e governo, totalmente distantes do discurso. Importantes lideranças de esquerda e intelectuais estão calados no Brasil, não têm a coragem de discordar de seus mitos.

Os aplausos pelos enormes avanços sociais junto ao crescimento econômico devem vir junto à crítica em voz alta à corrupção ostensiva e aceita, e às alianças com o que há de mais podre na política brasileira.


Esta mistura de respeito cego e submissão impossibilita qualquer condenação quando dois lutadores cubanos são mandados de volta a Cuba em avião venezuelano a toque de caixa. Ou quando se finge acreditar que em Cuba não tem prisioneiros políticos e a morte de Orlando Zapatta por greve de fome é jogada para debaixo do tapete. Hoje, ali, a luta de Davi x Golias é representada pela pequena grande mulher Yoani Sánchez x Irmãos Castro.

Não há coerência. E o que se pode esperar de lideranças sem coerência? A legitimidade de um governante nasce na transparência, na obediência às leis e na aceitação de que nós falhamos e precisamos escutar e se curvar ao coletivo e às instituições, que são o melhor instrumento de representação e continuidade.

Conselhos de Jornalismo, Agência Nacional de Audiovisual, Controle Social dos Meios de Comunicação, Programa Nacional de Direitos Humanos são nomes pomposos entre linhas traiçoeiras aos direitos alcançados nos últimos 25 anos. Espero que os que insistem se convençam que nenhuma sociedade avançará com sustentabilidade em conquistas sociais, humanas e econômicas sem o convívio pacífico e ordenado com a pluralidade de opiniões.



Convençam-se que o Brasil, com as bases lançadas pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e o pragmatismo do presidente Lula, fez uma das maiores distribuições de renda do mundo nos últimos 15 anos, sem rupturas com liberdades.

Que a luta de classes sonhada por Marx nunca existiu, sempre foi uma troca de elite no poder. Que o fortalecimento das instituições é o caminho mais seguro para todos os valores que a esquerda democrática sempre defendeu. E que o culto à personalidade, a mitificação de lideranças e a omissão é o caminho mais curto para o autoritarismo.

http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=12089


O GLOBO 06/05/2010

sábado, 24 de julho de 2010

D.Antonio João do Brasil


O Príncipe Imperial D. Antonio João Maria José Jorge Miguel Rafael Gabriel Gonzaga de Orleans e Bragança é o sétimo filho do Príncipe D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança (Chefe da Casa Imperial do Brasil até 1981, ano do seu falecimento) e da Princesa D. Maria da Baviera de Orleans e Bragança; é bisneto da Princesa Isabel, trineto de D. Pedro II., tetraneto de D. Pedro I, e irmão e segundo sucessor do Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil.



Assim, por linha paterna, descende o Príncipe D. Antônio, dos monarcas da Casa de Bragança, que reinaram em Portugal de 1640 a 1910, e no Brasil, de 1822 a 1889. Ainda pela mesma linha, provém ele da Casa Real da França, unida à Casa Imperial do Brasil pelo casamento do Príncipe Gastão de Orleans, Conde D'Eu com a Princesa Isabel. Por linha materna é bisneto do Rei Luiz III da Baviera, da Casa Real de Wittelsbach, una das mais antigas da Europa.


Brasileiro, nascido em Rio de Janeiro a 24 de Junho de 1950, casou-se em 25 de setembro de 1981 com D. Cristina de Ligne, nascida em Beloeil (Bélgica) em 11-VIII-55, filha do Príncipe Antônio de Ligne e da Princesa Alice de Luxemburgo. Do matrimônio nasceram-lhe quatro filhos: D. Pedro Luiz, Da. Amélia, D. Rafael e Da. Maria Gabriela. É diplomado em Engenharia Civil, Área de Projetos de Grandes Estruturas, pela Universidade de Barra do Piraí, ligada ao complexo da Companhia Siderúrgica Nacional, em 1976.
 No dia 6 de junho, após a Missa de Ação de Graças realizada na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Outeiro, na Glória (Rio de Janeiro), em comemoração ao 72º aniversário do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Antonio concedeu entrevista ao IBI:



Gostaria que o senhor falasse sobre o nosso chefe da Casa Imperial do Brasil, D. Luiz de Orleans e Bragança.

D.Luiz representa não só para a família como para todos que o conhecem uma figura boníssima e um Chefe de Estado ideal. É de uma boa vontade imensa, um católico fervoroso e muito corajoso. Nunca teve medo de expor suas opiniões quanto a situação atual do País. Certa vez uma senhora portuguesa perguntou a um amigo qual era o perfil dos príncipes brasileiros. Ele falou sobre a imparcialidade de D.Luiz e a defesa da Nação que faz. Ela, então, respondeu: esse é o perfil ideal de um líder para qualquer país do mundo.



Como o senhor vê o atual momento da política nacional?

Nós vemos um descalabro por todos os lados, uma falta de respeito a população, uma falta de respeito as leis. O próprio presidente descumpre a legislação, como no caso da propaganda eleitoral antecipada. Ele, como Chefe de Estado, deveria ser o primeiro a dar exemplo e isso não acontece. Temos um lindo e rico País e se vê tentativas de destruição dele. Atualmente no Brasil há um desrespeito a separação dos poderes com o presidente tentando influenciar a todos de forma negativa. Falta a figura do Imperador, do Poder Moderador, que está acima dos partidos. O Imperador já nasce com a responsabilidade. É um sacrifício que nós, da Família Imperial, fazemos com grande prazer. O Monarca, desde o nascimento, tem uma responsabilidade imensa com a Nação. Desde criança é preparado para considerar o País a sua família. O interesse maior dele, portanto, é o bem da sua Nação, da sua família.



Os países com melhores resultados de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo são monarquias. Podemos dizer que os países democráticos, como mais justiça social, são conduzidos por monarcas?

Perfeito. Para uma democracia funcionar é preciso o respeito as leis e alguém acima, no caso o Monarca, é fundamental para que sejam cumpridas. O Poder Moderador sempre previu isso. A autoridade moral do Monarca traz em si o respeito às instituições.



Como o senhor acha que os movimentos monarquistas devem se posicionar neste momento do País?

Temos que preparar o País para uma eventual volta a Monarquia com uma mudança radical. Temos que combater várias tendências como, por exemplo, o PNDH-3 (Plano Nacional de Direitos Humanos) que subverte toda a Constituição do País. É uma constituição soviética feita por decreto que não respeita a livre iniciativa, principalmente o agronegócio, e a tradição católica dos brasileiros ao permitir o aborto e proibir símbolos religiosos nas repartições públicas. Eu gostaria de saber o que eles fariam com o Cristo Redentor? É um plano imposto, um golpe marxista, anti-cristão e anti-família.



O que o senhor acha do ensino de história no Brasil?

Quando eu estudei história falava-se muito pouco da Monarquia. Já com os meus filhos, quando via os trabalhos que os professores passavam eu me irritava de tal maneira com as mentiras, com a maneira jocosa, com os anti-valores que a tendência socialista trouxe para o ensino. Eu lia os livros e falava aos meus filhos que estavam totalmente errados. Os cursos de história atualmente são inteiramente falsos, tentando passar uma visão única, que é a visão socialista. Mas estou tranquilo quanto ao futuro do movimento monárquico. D.Rafael, na missa em memória do irmão, assumiu o compromisso de seguir os mesmos passos. Ele está se preparando para liderar e ser um grande Chefe de Estado.

fonte : IBI

sábado, 17 de julho de 2010

A Monarquia é a solução para o Brasil


Quem pensa que o movimento monárquico está adormecido terá uma surpresa ao ler essa entrevista. O príncipe dom Pedro de Vassouras confirma que os descendentes de dom Pedro II retomarão ações por todo o país para tentar formar uma grande corrente pela volta da Monarquia.

O príncipe se mostra entusiasmado com o retorno dos monarcas para o governo, no entanto, reconhece que a luta empreendida hoje só poderá ter reflexo nas próximas gerações. “Por enquanto temos que fazer um trabalho de garimpo, devagar, trabalhando, explicando, mostrando as vantagens e desvantagens da Monarquia. É um trabalho a longo prazo. Acho que a minha geração não vai alcançar (a Monarquia). Temos que trabalhar para a próxima geração. Trabalhar para a nossa geração é egoísmo”.

Dom Pedro é empresário, mas é um homem de posições políticas. Critica a corrupção dos políticos e lamenta que os parlamentares apontados como “ladrões” tenham sido eleitos novamente.

Questionado se sente mesmo um príncipe, dom Pedro responde com simplicidade: “Não posso dizer nada porque nunca fui outra coisa”.

O convidado do 3 por 4 de hoje é um príncipe sem coroa, empresário por vocação e um político por discurso.

Por que o Brasil deveria voltar a ser Monarquia?


Acabou-se a República hoje. Veja como está esse país. A corrupção desenfreada e o povo, coitado, enganado sempre.

A sua família teria um modelo melhor para esse país?

O que nós defendemos é a Monarquia Constitucional, com a figura do imperador como defensor do povo. Se os deputados, senadores não cumprirem com as promessas de campanha, o imperador intervém, fecha o congresso e convoca novas eleições. Se começar a haver roubo, o imperador intervém e coloca o sujeito para correr.

Isso só pode ser feito com a Monarquia porque na República há compromisso partidário. Como vai fazer? O PSDB apoiou, PT, PSOL. Como você vai mandar para fora com esses partidos? Veja que todos os declarados corruptos estão de volta, foram todos reeleitos.

Na Monarquia não haveria uma vitaliciedade para os monarcas e os tornariam imunes à punição por corrupção?

O rei, o imperador, não é partidário, ele defende a Pátria. Ele não tem nada, está ali para defender o povo, não tem interesse partidário. O interesse dele é o bem estar social, o bem estar do povo. Quanto custa hoje uma campanha para presidente? Quanto se gasta na televisão? Na Monarquia isso não acontecerá.

Mas tudo isso que o senhor falou parece não ser bem aceito pelo povo. O plebiscito foi um exemplo, com um desempenho simbólico.

O problema é que você tem uma inércia de 100 anos. Tínhamos a nosso favor dois deputados contra 523 deputados, da época, contra a gente. Esses deputados (os 523) estavam cheios de dinheiro. Tínhamos uma campanha sem dinheiro. Eu fiz toda Minas Gerais de ônibus, andei de ônibus, fiz Minas inteiro. Mesmo assim tivemos 11%. É um número considerável.

O senhor ainda vê espaço para a Monarquia no Brasil?

Tem espaço. O importante é que tenhamos o trabalho de hoje. Estamos voltando com o Movimento Monárquico. Eu já falei com meus irmãos mais velhos e a gente vai movimentar mais. Não vamos deixar morrer. Eles vão retomar o movimento e alguma coisa vai ser feito. O povo não agüenta mais a situação. O povo olha para Brasília e não agüenta.

E como será esse movimento para voltar a Monarquia?

Vamos começar a fazer palestras, visitar os Estados, fazer movimentos, trabalhos, encontrar simpatizantes. Vamos fazer nossa militância. Aliás a única coisa que o PT tem igual a gente é nossa militância. Temos uma militância monárquica.

E o caminho para a volta da Monarquia passaria pela realização de um novo plebiscito?

Não sei quando acontecerá um novo plebiscito. Por enquanto temos que fazer um trabalho de garimpo, devagar, trabalhando, explicando, mostrando as vantagens e desvantagens da Monarquia. É um trabalho a longo prazo. Acho que a minha geração não vai alcançar (a Monarquia). Temos que trabalhar para a próxima geração. Trabalhar para a nossa geração é egoísmo. A nossa geração já era.

O senhor tem esperança de voltar a Monarquia?

Tenho esperança. Com certeza as próximas gerações encontrarão isso (a Monarquia).

Quem vai financiar o movimento monárquico que sua família fará?

Ninguém vai financiar nada. O que vamos fazer é o povo, cada um que tem dá um pouquinho. Vamos ver se alguém empresta a sede para a gente se reunir. Tem algumas dezenas de adesões que vão ajudar. Vamos começar do zero.

E será que os Orleans & Bragança seriam a solução para o país?

Eu acho que os Orleans & Bragança são descendentes da família imperial brasileira. Esse país nunca foi tão respeitado no mundo inteiro como na época da Monarquia. O produto internacional bruto brasileiro era igual o do americano na época (da Monarquia).

Todo mundo reclamava que dom Pedro II que ganhava 800 contos de réis por ano. Diziam que era um absurdo. Com isso ele pagava do bolso dele as viagens, os negócios para o país. Com o que sobrava ele libertava alguns escravos. Deodoro da Fonseca entrou e no dia seguinte o salário passou para 1.200 contos. A bagunça começou no dia seguinte (a saída da Monarquia).

A Inglaterra seria o grande exemplo da Monarquia? Mas lá se gasta muito com a família Real.

A Inglaterra e a Espanha são exemplos.

Se a Monarquia voltar não haveria uma riqueza concentrada sobre sua família?

O problema é que existe nesse país uma pendência, uma força que esconde a nossa história. Ninguém fala em Monarquia, na época do império. Escondem a história. É como se escondessem porque se falar das coisas boas (da história) ela (a Monarquia) volta. Na escola ninguém fala da Monarquia, fala por alto.

Qual seria a intenção de esconder a história?

O medo da volta da Monarquia. Voltar as coisas boas.

Como vivem hoje os Orleans & Bragança?

Eles vivem trabalhando para burro. Eles trabalham demais.

Não são ricos?

Ricos nada. Trabalham muito.

O senhor fala que o Brasil esconde a história, mas depois de tantos anos os senhores ainda são tratados como príncipes.

Porque ainda existe um pouquinho de memória. Mas você não vê falar na Monarquia da escola, ninguém vê estudo profundo sobre o que a Monarquia fez no país. A nossa história é escondida.

Queremos uma Monarquia Constitucional, teremos o primeiro ministro, que é a figura do presidente hoje, vai ter os deputados, ministros. O primeiro ministro é eleito democraticamente. O rei é a posição superior, tendo ao lado o conselho de Estado que vai acompanhar tudo o que ocorre no país, fiscalizar e aconselhar o rei sobre o que acontece. O papel do rei nada mais vai ser do que protetor do povo. Quem tiver que fechar o Congresso vai ser o rei.

Qual a impressão da realeza com a reeleição do presidente Lula?

O Lula tem tudo para fazer um governo fabuloso. Acho que ele vai fazer, tenho esperança disso. É um rapaz inteligente, esforçado, trabalhador, espero que ele faça um bom governo. Espero que ele coloque esses ladrões para correr e não se associe mais aos ladrões.

A Monarquia voltando, qual seria a prioridade no Governo?

A minha prioridade é trabalhar, trabalhar, trabalhar. Meu irmão mais velho é que será o imperador. Serei um agregado. Ele (o irmão mais velho) vai dizer fique aí, trabalhe e não me chateei.

Como o senhor vê o futuro do Brasil com essa possibilidade cogitada da volta da Monarquia?

O futuro do Brasil é brilhante desde que se trabalhe com seriedade. Não pode ocorrer o que houve nesse Congresso nos últimos meses.

O senhor se sente um príncipe?

Eu nasci assim, não sei como é o outro lado. Não tenho idéia de como é o outro lado.

10 de Dezembro de 2006

links:

http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=7274

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Alc%C3%A2ntara_Henrique_de_Orl%C3%A9ans_e_Bragan%C3%A7a

http://tribunadonorte.com.br/noticia/a-monarquia-e-a-solucao-para-o-brasil/28998

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Máscaras republicanas

Multidões de mascarados e maquiados com cores alegóricas de nacionalidades envolvidas nas disputas da Copa do Mundo falam por esse meio uma linguagem que simbolicamente quer dizer muito mais do que parece. Trata-se de um ritual cíclico de renovação de identidades nacionais, expressas nos ornamentos e nos paramentos do que é, funcionalmente, uma nova religião no vazio contemporâneo.

Aqui no Brasil as manifestações simbólicas relacionadas com o futebol e seus significados têm tudo a ver com o modo como entre nós se difundiu a modernidade, nas peculiaridades de nossa história social.


Embora não fosse essa a intenção, rapidamente esse esporte assumiu entre nós funções sociais extrafutebolísticas que se prolongam até nossos dias e respondem por sua imensa popularidade. A República, em que todos se tornaram juridicamente brancos, sucedeu a monarquia segmentada em senhores e escravos, brancos e negros, todos acomodados numa dessas duas identidades.

A República criou o brasileiro genérico e abstrato. O advento do futebol entre nós coincidiu com a busca de identidades reais para preencher as incertezas dessa ficção jurídica. Clubes futebolísticos de nacionalidades, de empresas, de bairros, de opções subjetivas disfarçaram as diferenças sociais reais e profundas, sobrepuseram-se a elas e tornaram funcionais os conflitos próprios da nova realidade criada pela abolição da escravatura.

Diversamente do que era próprio da escravidão, da inserção rígida na condição de livre ou de escravo, a nova realidade, através do futebol que se difundiu progressivamente, criou polarizações flexíveis, embora, no limite, violentas, como se vê na ação de torcidas organizadas. No futebol há espaço para acomodações e inclusões, até porque sem a diversidade de clubes e sem a competição o futebol não teria sentido.

O receituário da modernidade inclui, justamente, esses detalhes de convivência com a diversidade e com a rotatividade dos que triunfam. Nela, a vida recomeça continuamente; depois da vitória é preciso lutar pela vitória seguinte. O futebol é republicano, não é monárquico nem ditatorial. Essencialmente, massificou e institucionalizou a competição e a concorrência, elevou-as à condição de valores sociais e democratizou as oportunidades de vitória de cada um no rodízio dos vitoriosos.

Nele, a derrota nunca é definitiva nem permanente. Por esse meio, o que era mero requisito do funcionamento do mercado e da multiplicação do capital tornou-se expressamente um rito de difusão de seus princípios no modo de vida, na mentalidade e na vida cotidiana das pessoas comuns, fazendo desta uma sociedade de acomodações e superações.


É nesse sentido que o futebol só pode existir em sociedades competitivas e de antagonismos sociais administráveis. Fora delas, não é compreendido. Há alguns anos, um antropólogo, que fora meu aluno e que estava fazendo pesquisa com os índios Xerente, de Goiás, narrou-me sua surpresa ao ver que os índios haviam adotado entusiasticamente o futebol.

Com uma diferença: os 22 jogadores não atuavam como dois times de 11, mas como um único time jogando contra a bola, perseguida em campo todo o tempo. Interpretaram o futebol como um ritual de caça. Algo próprio de uma sociedade tribal e comunitária.

A nós brasileiros, cada vez mais distanciados da idéia republicana de nação e afundados no sectarismo das identidades parciais e corporativas do populismo político, racial e religioso, o verde-amarelo das pinturas faciais e dos trajes, das alegorias e das máscaras nos restitui temporariamente a grandeza da nossa identidade nacional sacrificada nas conveniências e nos interesses das minorias.

As máscaras estão historicamente ligadas à necessidade social e política do mascaramento da morte e do medo da morte. Elas dão fisionomia às ausências, ao que está desaparecendo, e proclamam, mais do que a euforia da esperança na vitória, a carência de uma identidade abrangente em que nos vejamos como nós e não como alguns.
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* JOSÉ DE SOUZA MARTINS é Professor Emérito da Universidade de São Paulo. Dentre outros livros, autor de A Sociabilidade do Homem Simples (Contexto, 2008), Sociologia da Fotografia e da Imagem (Contexto, 2008), A Aparição do Demônio na Fábrica (Editora 34, 2008), O Cativeiro da Terra (Contexto, 2010). Publicado em O Estado de S. Paulo [Caderno Aliás, A Semana Revista], domingo, 4 de julho de 2010, p. J7

terça-feira, 13 de julho de 2010

Marquês de Tamandaré

Testamento do Almirante



Exijo que meu corpo seja vestido somente com camisa, ceroula e coberto com um lençol, metido em um caixão forrado de baeta, tendo uma cruz na mesma fazenda, branca, e sobre ela colocada a âncora verde que me ofereceu a Escola Naval em 13 de Dezembro de 1892, devendo-se colocar no lugar que faz cruz a haste e o cepo um coração imitando o de Jesus, para que assim ornado signifique a âncora-cruz, o emblema da fé, esperança e caridade, que procurei conservar sempre como timbre dos meus sentimentos. Sobre o caixão não desejo que se coloquem coroas, flores nem enfeites de qualquer espécie, e só a comenda do cruzeiro que ornava o peito do Senhor D. Pedro II em Uruguaiana, quando compareceu como primeiro dos voluntários da pátria para libertar aquela possessão brasileira do julgo dos paraguaios que a aviltavam com sua pressão; e como tributo de gratidão e benevolência com que sempre me honrou e da lealdade que constantemente a S. M. I tributei, desejo que essa comenda relíquia esteja sobre meu corpo até que baixe à sepultura.

 Exijo que não se façam anúncios e nem convites para o enterro de meus restos mortais, que desejo sejam conduzidos de casa ao carro e deste à cova por meus irmãos em Jesus o Cristo que hajam obtido o fórum de cidadãos pela Lei de 13 de Maio. Isto prescrevo como prova de consideração a essa classe de cidadãos em reparação a falta de atenção que com eles se teve pelo que sofreram durante o estado de escravidão; e reverente homenagem à grande Isabel Redentora, benemérita da pátria e da humanidade, que se imortalizou libertando-os.






Exijo mais, que meu corpo seja conduzido em carrocinha de última classe, enterrado em sepultura rasa até poder ser exumado, e meus ossos colocados com os de meus pais, irmãos e parentes, no jazigo da família Marques Lisboa.



Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir a minha pátria e prestar alguns serviços à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva:






"Aqui jaz o velho marinheiro".






Almirante Joaquim Marques Lisboa



*****
 Marquês de Tamandaré


“Honra é a força que nos impele a prestigiar nossa personalidade. É o sentimento avançado do nosso patrimônio moral, um misto de brio e de valor. Ela exige a posse da perfeita compreensão do que é justo, nobre e respeitável, para elevação da nossa dignidade; a bravura para desafrontar perigos de toda ordem, na defesa da verdade, do direito e da justiça .”
Joaquim Marques Lisboa – Patrono da Marinha



O Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, foi indiscutivelmente figura destacada no cenário militar do Brasil durante o Império, principalmente no Segundo Reinado. Ingressou na Marinha de Guerra no alvorecer da Independência, que ajudou a firmar e consolidar. Tamandaré foi uma das colunas resistentes e inabaláveis que, com o grande Caxias, consolidou a Independência Nacional, firmou o Império, resguardando-o da desagregação, implantou o respeito ao soberano, manteve a disciplina nas Forças Armadas, a concórdia e a paz no espírito irrequieto dos brasileiros, do extremo norte ao extremo sul do Brasil, como um dever imperativo do seu sincero patriotismo.


Além das Guerras da Independência, onde esteve embarcado na fragata Nichteroy, participando da épica perseguição a frota portuguesa que deixava a Bahia; comandou navios de guerra da Marinha Imperial no Rio da Prata durante a Guerra Cisplatina, destacando-se na captura do navio argentino Ocho de Febrero. No período regencial cumpriu várias comissões no mar, tomando parte ativa em duas revoluções, a “Setembrizada” em 1831, e a “Abrilada” em 1832, em Pernambuco. E mais adiante participou da Revolta dos Cabanos, no Pará, em 1835. Destacou-se também com intensa participação no combate a Balaiada, movimento que sublevou as Províncias do Maranhão e Piauí entre 1838 e 1841.

O então Capitão-Tenente Joaquim Marques Lisboa, nomeado Comandante da Força Naval em operação contra os insurretos, após estudar a região em que teria que combater, armou pequenas embarcações, que enviadas para diversos pontos dos principais rios maranhenses, combateriam os rebeldes isoladamente ou apoiando forças em terra. Já no Segundo Reinado, como capitão-de-mar-e-guerra, foi o primeiro comandante da fragata a vapor D. Affonso, primeiro navio de guerra de grande porte incorporado pela Marinha brasileira, construído na Inglaterra. No dia da viagem de experiência, salvou, com grande risco de sua vida, de sua gente e de seu navio a tripulação da galera Ocean Monarch, em águas inglesas.

Já no Rio de Janeiro consegue rebocar e trazer para dentro da Baía de Guanabara a nau Vasco da Gama que se achava em perigo fora da barra. No comando deste navio auxiliou na defesa da Cidade de Recife, quando esta foi atacada por insurretos na Revolta Praieira, em 1849.



Como oficial-general, comandou a força naval brasileira no Rio da Prata entre os anos de 1864 a 1866. Atuou no conflito em solo uruguaio, quando exerceu o Comando-Geral das tropas de Marinha na Tomada de Paissandu. Exerceu o comando da Esquadra brasileira na primeira fase da guerra contra o Paraguai quando, para além das vitórias em combate, organizou toda a linha logística necessária para a manutenção dos principais navios da Armada Imperial a tão grande distância de sua sede.



O Almirante Tamandaré veio a falecer na então Capital Federal, Rio de Janeiro, em 20 de março de 1897.



*****
Viva o Brasil e (re)vivam os BRASILEIROS como Tamandaré!



 
fonte: Instituto D. Isabel I

Uma outra política é possível!

A esquerda mais radical não está livre de contrair o vírus que combate. Em outras palavras, também é susceptível ao canto da sereia das instituições burguesas. Sua crítica é assimilada pelo sistema eleitoral e o legitima. Seu poder de convencimento é minado pela linguagem e pelos parcos recursos que detém, comparado aos outros partidos. Sua capacidade de conquistar o eleitor “conservador” e “alienado”, já predisposto a votar nulo pela experiência acumulada em várias eleições, é limitada pela própria política que defende. Este eleitor até pode ver com simpatia os candidatos dessa esquerda, mas sabe que não terão chance. E, no final das contas, reconhece que seu voto é impotente para realmente mudar substancialmente a realidade.



O sistema eleitoral e partidário admite uma certa margem de votos na esquerda radical, outro tanto de nulos e brancos, desde que isto se mantenha em limites que não questione sua legitimidade. Por que a esquerda não adota a política de superar estes limites? Por que ela não tem a coragem de pregar o voto nulo? A resposta está em sua opção política, instituída desde que os partidos revolucionários aceitaram a “democracia burguesa”. Enquanto a revolução não chega, conquista-se um cargo aqui, outro acolá; um vereador e um deputado aqui, outro acolá; e amplia-se também o poder de atender aos interesses dos que compartilham da mesma ideologia. Multiplicam-se os cargos a conservar, ainda que o discurso se mantenha radicalizado.



Assim, cada vez mais aumenta o número dos que passam a viver da política. A missão revolucionária, viver para a política, é sutilmente substituída pela dependência econômica em relação ao aparato burocrático do partido e do Estado. E, ademais, é muito tênue a diferença entre viver da e para a política. Nos partidos de esquerda são poucos os que têm condições econômicas para se dedicarem à política sem a necessidade da recompensa financeira. A política passa a ser mais um caminho de ascensão social.



Eis uma das maiores dificuldades que a esquerda crítica ao petismo enfrenta. Sua opção eleitoral tende a repetir a tragédia petista e em circunstâncias históricas desfavoráveis. A eleição tende a reproduzir a bipolarização e a esquerda não-petista legitima o processo. Ganhará algumas posições no aparato institucional que ela própria denomina de burguês, mas dificilmente conseguirá convencer os desacreditados com a política institucional de que vale a pena atuar neste campo. Confirmar-se-á mais uma vez que a política, essa política, se restringe à minoria militante vinculada à disputa estatal e partidária. São os interesses em jogo que determinam a dinâmica da luta eleitoral.



Uma outra política, traduzida na resistência inconsciente e/ou ativa da massa que não vota nos partidos, poderia ser politizada pela defesa do voto nulo. Para tanto, seria necessário que os iluminados – que só vêem alienação e conservadorismo na postura apolítica das massas – e os que se afirmam revolucionários tivessem a ousadia de propor o voto nulo e, assim, abrir mão da possibilidade de usufruir das migalhas do poder, das benesses que o Estado concede no grau do seu merecimento às forças políticas que o disputam.



Esta é uma postura considerada utópica e até mesmo ingênua. Mas ela se fundamenta na própria história da esquerda que optou pelo caminho eleitoral, no Brasil e no movimento comunista internacional, e indica uma estratégia política diferenciada: a ênfase na política extra-institucional e a radicalização da democracia para além dos limites do sistema eleitoral. A esquerda anti-PT, embora bem-intencionada, insiste em trilhar caminhos já percorridos. Por que?!


por: Antonio Ozaí da Silva
 
Professor do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá (UEM); editor da Revista Espaço Acadêmico, Acta Scientiarum. Human and Social Sciences e Revista Urutágua

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Orlando Villas-Boas

video

Política no Brasil - razões da rejeição popular

Se o voto fosse facultativo é provável que, pelo menos nas primeiras eleições, o fiasco pelo não comparecimento de eleitores às urnas seria muito grande, dizem que na casa dos 80% do colégio eleitoral brasileiro. Independentemente de isso ser verdade, o fato é que o modelo político eleitoral e partidário brasileiro está muito longe de poder ser considerado democrático.

A recente aprovação da Lei da Ficha Limpa, fruto de uma iniciativa popular que juntou, segundo notícias, cerca de 4 milhões de assinaturas e teve boa repercussão na mídia, pode ser mais um dos espelhos dessa situação, muito embora não se resolva o problema, ou, pior, não elimine a causa. A causa dos problemas não são as pessoas, é o modelo. As pessoas agem de acordo com o modelo.

 E o modelo político eleitoral reflete o modelo de organização do País. Patrimonialista, clientelista, centralizado, “caciquizado”, feudalizado, oligarquizado, enfim, de democrático nada tem. Começa pela obrigatoriedade do voto, desqualificando o voto consciente. Trata-se meramente de um processo de legitimação de ocupantes do poder, os quais, com raras exceções, têm de prestar contas com os financiadores de suas campanhas.

Estes financiadores, normalmente empresas, considerando o modelo político e administrativo das instituições, não tem outra saída senão utilizar-se da política por encomenda para criar facilidades dentro do sistema que centralizou para si, a prerrogativa de fazer quase tudo que a própria Sociedade deveria fazer. Ou seja, uma democracia de araque.

Os partidos políticos são estruturados de maneira a proteger feudos internos, através da prática do voto cumulativo, uma estranha prática que permite que um filiado possa ter votos excedentes por cargos ou funções que ocupe, curiosamente permitida pela legislação eleitoral e pelo TSE, como se partidos fossem sociedades anônimas por ações ordinárias.

Partidos políticos deveriam primar pela democracia interna mais do que associações sem fins de lucro, escolhendo candidatos a cargos eletivos, internos e externos, através do voto de cada filiado. As convenções seriam por certo, mais cheias de partidários de vontade própria e não de militantes e cabos eleitorais pagos.


É simplesmente vergonhoso o processo de escolha de candidatos dos partidos, como se pode observar em todo o País, criando tensões econômicas, especialmente quando se tratam de candidatos à presidência da República e seus vices, e asco por parte da população.

Mais do que a ficha de candidatos, cuja integridade pode perfeitamente ser avaliada pelos filiados de cada partido em processos eleitorais internos, amplos, justos, realmente democráticos e transparentes, é preciso deixar de lado a hipocrisia do processo político eleitoral e partidário brasileiro.

De nada adianta agora brigar por fidelidade partidária, e outras questões que não são causa e sim efeitos, e sim brigar pela reforma dos partidos políticos, e do processo como um tudo. São simples os pontos:

a) proibição absoluta de voto cumulativo nos partidos políticos;


b) obrigação de eleições internas para escolha dos dirigentes e candidatos em todos os níveis;


c) referendos internos para aceitação de políticos com mandato provenientes de outros partidos;


d) proibição de coligações entre partidos, mas liberando-se alianças partidárias em segundo turno;


e) cláusula de acesso ao Congresso com mínimo de 10% do eleitorado brasileiro de desempenho eleitoral em nível nacional;


f) se persistir a existência de um fundo de dinheiro público para financiamento de partidos, que haja distribuição igual para todos as legendas, assim como, o tempo de televisão;


g) liberação completa de campanhas partidárias, em qualquer tempo, em qualquer mídia – não à censura!


h) Modificações estatutárias dos partidos aprovadas somente com assembléias nacionais com participação de todos os filiados – chega de alterações de cláusulas estatutárias por “colegiados intra-partidários” na calada da noite;


i) Distribuição federativa do peso eleitoral dos filiados de cada partido em nível nacional;


j) Flexibilização da sede e abrangência de um partido político, hoje nacional e sede em Brasília – isso permitiria o surgimento de partidos locais e estaduais.


A adoção corajosa dessas providências, sem adentrar em outras esferas e análises, promoveria uma revolução política no Brasil, abrindo caminho para a participação popular nos partidos, uma vez que cada brasileiro começaria a sentir que realmente tem poder de decisão, sua voz é ouvida e seu voto considerado. Certamente isso refletirá na qualidade dos políticos, dos partidos, da política como um todo, abrindo caminho para as grandes transformações nacionais, regionais e locais. A democracia passará a ser legítima e deixará de ser um engodo.

O brasileiro sempre é qualificado como inapto para votar com consciência. Será? Se for, está na hora de se permitir que aprenda a praticar democracia responsável, tal como se aprende a nadar – tem que entrar na água.

fonte: http://www.if.org.br/