"Nós, os monarcas, somos incontestavelmente constantes em um mundo em constante transformação. Pelo motivo de termos estado sempre aqui, mas também por não nos envolvermos na política cotidiana. Estamos informados das mudanças políticas que acontecem em nossas sociedades, mas não fazemos comentários sobre isso. É nisso que assumimos uma posição única. Nenhum dos outros monarcas europeus interfere na política."

Margarethe II, Rainha da Dinamarca

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os dois Brasis

O gráfico da Folha mostrando os estados onde Dilma e Serra venceram destacaram a diferença de perfil entre os estados do sul e do norte.


Os estados do Norte, exceção feita à Roraima, Rondônia e Acre, votaram firmemente com Dilma. Já os do Sul mantiveram sua posição tradicional.

Veja o gráfico

Mais do que uma divisão Dilma-Serra, este retrato mostra a recepção ao projeto de Lula com seu foco assistencial. O Norte, mais carente, recebe bem este projeto enquanto o Sul, mais próspero, possui outras prioridades.

A primeira vista poderia pensar-se que existe um verdadeiro conflito de interesses e mesmo de valores entre o Norte e o Sul. Mas será o caso?

Que existe uma diferença de interesses, contextos e valores não há dúvida. Mas e o conflito? O conflito existe, mas não por causa das realidades de cada estado. Ele existe porque o modelo administrativo atual concentra todos os poderes de ação na capital do país, independente do governo que esteja ali.

Não existe nenhum conflito entre o social e o progresso econômico. Mas é evidente que alguns estados precisam mais de um do que do outro. Assim com o poder centralizado, com a política da medida igual para todos, quando partidos com focos sociais estão no poder, é natural que os estados mais desenvolvidos economicamente fiquem ressentidos e suas classes médias se sintam esmagadas.

Igualmente, quando partidos mais focados no mercado estão no poder, os estados com infra-estrutura e mercado desenvolvidos se sentem mais a vontade enquanto os que valorizam e precisam mais do social se sintam esquecidos.

Os Federalistas propõe uma solução diferente que preserva os interesses e valores de cada um e ao mesmo tempo encerra o conflito. Para que isso aconteça é necessário multiplicar as iniciativas de solução de cada problema, de modo que onde a necessidade seja o foco no social, se possa investir nisto sem problemas, onde o foco for no mercado se possa desenvolver este aspecto sem prejudicar o social.

E como obtemos essa multiplicação?

Através de uma verdadeira redistribuição de poder no Brasil. Há apenas um centro de poder real no Brasil, para atender a todos: Brasília. Vamos multiplicar os centros de poder para cada estado brasileiro.

Os estados com grandes necessidades sociais terá plenas condições e autonomia para implementar políticas sociais convergentes com sua realidade e seus valores. Os estados com infra-estrutura de mercado terão igualmente autonomia para desenvolver seus serviços, indústrias e agro-negócio.

No Brasil, tanto a direita quanto a esquerda, com razão, temem que se o “inimigo” tomar o poder em Brasília, poderá de alguma forma tomar medidas autoritárias. O perigo é real, mas não é intrínseco de um lado ou de outro.
Tanto a direita quanto a esquerda possuem em seu currículo ditaduras terríveis e sucessos administrativos. O perigo real está no modelo de poder concentrado nas mãos de poucos no Brasil, o que se materializa na existência de apenas um centro de poder que é Brasília.

Multiplicando os centros de poder pelas capitais dos estados, pelos municípios e mesmo pelos cidadãos – pois democracia é o poder na mão de cada cidadão – iremos avançar com a democracia no Brasil, criando uma estrutura de redes de poder que é impermeável a ser tomada por qualquer autoritário que seja, de direita ou de esquerda, pois não possui um centro único a partir de onde dominar todo o país.

O Brasil “vermelho” e o Brasil “azul” são diferentes sim, graças a Deus. É totalmente verdade que possuem necessidades diferentes e que cada grupo que esteve no poder esqueceu ou esmagou os cidadãos do outro grupo.

O problema está no fato de que só há um centro de poder para que cada grupo ocupe de cada vez, obrigando-o a estrangular o outro, fazendo dos que poderiam ser aliados, inimigos. A solução está em simplesmente permitir que “azuis” e “vermelhos” possam ser protagonistas e agentes de sua própria história. Não precisamos ter um governo azul e depois outro vermelho e precisar esperar a alternância para que cada região viva sob o estilo de governo que melhor converge com suas aspirações.

Azul e vermelho pode governar simultaneamente se houver mais de um centro de poder. Isso só pode ser feito se lhes forem restaurados os direitos de auto-governo naturais concedidos por Deus. Não precisamos avermelhar os azuis, nem azular os vermelhos, mas aceitar todas as cores de cada estado, de cada município e de cada cidadão do Brasil. Cidadania se faz em cada cidade, e sem autonomia não há cidadania.


por: Fábio Lins 
Analista de negócios, programador de mainframe e midrange, professor de inglês, Diretor de Relações Externas do Instituto Federalista

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