"Nós, os monarcas, somos incontestavelmente constantes em um mundo em constante transformação. Pelo motivo de termos estado sempre aqui, mas também por não nos envolvermos na política cotidiana. Estamos informados das mudanças políticas que acontecem em nossas sociedades, mas não fazemos comentários sobre isso. É nisso que assumimos uma posição única. Nenhum dos outros monarcas europeus interfere na política."

Margarethe II, Rainha da Dinamarca

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Os Orleãns e Bragança



Em 1808, D. João VI, então regente de Portugal, decidiu deixar seu país para morar, por tempo indeterminado, no Brasil, que, na época, era Colônia portuguesa. Não, não era férias, nem uma “viagem de trabalho programada”. Foi fuga mesmo! Uma fuga espetacular, que trouxe mais de 15 mil pessoas, entre membros diretos da Família Real portuguesa, integrantes da nobreza (duques, barões, marqueses), e outras pessoas consideradas importantes por lá naquela época. Eles fugiam de Napoleão, que estava prestes a invadir o país. Essa visita gerou uma série de acontecimentos que culminaram na Independência do Brasil, em 1822.


O Brasil só teve dois imperadores de fato: D. Pedro I, que declarou a independência, e seu filho, D. Pedro II. Este teve três filhos; dois homens e uma mulher. Pelas regras de então (havia muitas, uma mais curiosa que a outra, como você vai ver ao longo desta reportagem),                                                                                        
dava-se preferência aos homens como herdeiros do trono. Acontece que os dois filhos homens faleceram, fazendo com que a filha mulher fosse declarada a Princesa Imperial, ou seja, a herdeira oficial do trono. Estamos falando de Isabel, princesa que ficou famosa por assinar a Lei Áurea, que aboliu, pelo menos no papel, a escravatura no Brasil.


Muita água rolou desde então. No dia 15 de novembro de 1889, o Brasil virou uma república, e quem um dia foi rei, príncipe ou princesa, não era, a partir daquele momento, mais nada. Mesmo assim, a família continuou cultivando seus ritos e valores, como, por exemplo, a regra do casamento dinástico, que dizia que “sangue azul só combina com sangue azul”. Ou seja, se você fizesse parte de uma família real, só poderia casar com quem também tivesse parentesco direto com alguma família real.


Pedro de Alcântara era o filho mais velho da princesa Isabel. Caso o Brasil voltasse um dia a ser uma monarquia, ele tinha tudo para ser o herdeiro direto do trono. O problema é que ele se apaixonou por uma condessa tcheca que não tinha sangue real. Ou seja, tinha um título de nobreza (condessa), mas não era descendente de nenhuma família real do mundo.


A princesa Isabel achou aquilo um absurdo e exigiu que o filho terminasse o relacionamento com a condessa, ou então renunciasse ao trono. Foi o que ele fez: renunciou, em nome de si mesmo e de todos os seus descendentes, ao direito de, algum dia, assumir o reinado brasileiro. O direito passou então para o irmão seguinte, D. Luis Maria Filipe, que manteve o título.


Estes dois filhos da princesa originaram os dois principais ramos da Família Real brasileira na atualidade: o ramo de Petrópolis, descendente de D. Pedro de Alcântara e o ramo de Vassouras, de D. Luis Maria Filipe. E a condição dinástica não é o único fator que os difere.


Entre Vassouras e Petrópolis


Os dois principais ramos da Família Real brasileira na atualidade são:


 - O de Petrópolis, formado por descendentes de D. Pedro de Alcântara, filho mais velho da princesa Isabel, que renunciou à herança do título por ter se casado com uma condessa que não tinha sangue real — essa renúncia se estende até hoje a todos os descendentes;

- O de Vassouras, que tem sua origem em D. Luis Maria Filipe, o segundo filho, que manteve o título.


E quem são eles?


Do ramo de Petrópolis, o mestre, até pouco tempo, era D. Pedro Gastão, que faleceu com 94 anos em dezembro de 2007. Durante certo tempo, ele chegou a questionar a renúncia do trono feita por Pedro de Alcântara, tentando assim, reaver a condição de herdeiro, mas a luta não deu em nada. A questão foi levantada novamente durante o plebiscito de 1993, mas, como o próprio plebiscito não resultou em nada, ficou por isso mesmo. Hoje, o ramo de Petrópolis é representado, principalmente, por empresários e artistas, que estão, em sua maioria, bem inseridos no contexto social, político e econômico atual brasileiro, uma das razões pelas quais não se preocupam mais com questões como herança de trono ou volta da monarquia.


A figura mais popular desse ramo da família é o príncipe D. João Henrique de Orleans e Bragança, nascido em 1954. Ele é dono da famosa Pousada do Príncipe, em Parati, além de fotógrafo de talento reconhecido internacionalmente. Quando jovem, ele foi apelidado pela imprensa de D. Joãozinho, nome associado principalmente ao seu hobby favorito — o surfe. O apelido inocente esconde, no entanto, um homem engajado, de opiniões fortes (que podem ser identificadas, de certa forma, como de centro-esquerda), fato pelo qual é constantemente notícia. Casado com Stella Cristina Lutterbach, D. João tem dois filhos, entre os quais está Maria Cristina, que é atualmente a única princesa do mundo portadora da síndrome de Down. Após o nascimento dela, D. João e dona Stella tornaram-se grandes porta-vozes da luta por melhores condições para quem tem a síndrome. Ela, por exemplo, é presidente da Federação das Associações de Síndrome de Down.


O ramo de Petrópolis possui hoje uma convivência pacífica com o de Vassouras, que tem como líder D. Luiz de Orleans e Bragança (citado no início desta reportagem). Ele e seu irmão D. Bertrand são os principais defensores da volta da monarquia ao Brasil. Se o país tivesse mantido a forma de governo monárquica até hoje, D. Luiz seria o imperador, e D. Bertrand o herdeiro direto dele. Eles são filhos de D. Pedro Henrique (falecido em 1981), que por sua vez é o filho mais velho de D. Luis Maria Filipe.


Esse outro lado da família tem suas bases no interior do Paraná, na cidade de Jacarezinho. Foi lá que D. Pedro Henrique passou alguns anos como agricultor, conduzindo a fazenda Santa Maria, antes de se mudar para Vassouras.


Mas D. Luiz, o imperador, vive mesmo em São Paulo, onde fica a Casa Imperial do Brasil, dirigida por ele. Suas posições políticas são conhecidas por serem bastante conservadoras. No site da Casa Imperial, o “imperador virtual” é definido como “católico fervoroso”, que luta pela “defesa da prática firme dos valores morais da Cristandade”. Esse fervor católico é reforçado pela sua ligação com a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, conhecida como TFP. Quer dizer, até 2004. Isso porque D. Bertrand, seu irmão, lidera hoje uma dissidência da TFP, ainda mais conservadora que a organização original.


São idéias totalmente contrárias às da maioria dos membros do ramo de Petrópolis. Aliás, os dois ramos não discordam apenas em questões políticas, mas também quanto à história da própria família, como explica o historiador Estevão Martins, professor de História Contemporânea da Universidade de Brasília e especialista em assuntos relacionados à realeza brasileira na atualidade. “Só para dar um exemplo: o ramo de Vassouras, ao contrário do outro, hipervaloriza o papel da princesa Isabel na abolição da escravatura, colocando-a como agente quase que exclusivo desse processo. Hoje, sabe-se que houve diversas variáveis envolvidas, principalmente os movimentos populares e a atuação de personalidades formadoras de opinião da época.”




...filho de Pedro, herdeiro de... quem mesmo?


Se você leu o capítulo anterior e teve dificuldades para “se localizar” entre tantos títulos, distinguir o Pedro de Alcântara do Pedro Henrique, entender quem é filho de quem... calma! É mesmo fácil perder-se entre tantas datas e nomes recorrentes.


Aliás, falando em nomes, você só não se confundiu mais porque utilizamos nesta reportagem os nomes resumidos dos membros da Família Real. Sim, na história da realeza brasileira, há quem carregue dezenas de palavras em um mesmo nome.


Conforme explica Fátima Argon, chefe do Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis (RJ), os nomes de então carregavam um pouco da história da família e até mesmo das crenças da pessoa. Por exemplo, no nome de Dom Pedro I, Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon “João” é uma homenagem a D. João V, e “Carlos” é uma homenagem à mãe, Dona Carlota Joaquina. “Miguel” e “Rafael” são referências a São Miguel Arcanjo e São Rafael Arcanjo.

Vale lembrar que antes do nome, vem sempre o título – Príncipe, Princesa, Imperador - e um pronome de tratamento à altura, como Majestade e Alteza Imperial.

Casamento de D.Amelia do Brasil, sobrinha do Chefe da Casa Imperial do Brasil

Hoje, na prática, esses títulos não têm valor. Mas, em 1993, quase voltaram a ter. Naquele ano, ocorreu um plebiscito que perguntou à população qual forma de governo ela queria ver instalada no país. Apesar de ser um acontecimento recente, a idéia do plebiscito surgiu muito tempo antes. Durante a elaboração da Constituição de 1988, vários deputados insistiam em afirmar que um requisito da Constituição de 1891 (a primeira republicana) não tinha sido cumprido: a exigência de submeter ao povo brasileiro, por meio de voto popular, a decisão de continuar ou não com a república. A maioria concordou em fazer a votação, que ficou marcada para 21 de abril de 1993.

Era preciso fazer duas escolhas para o sistema de governo

• Forma de governo: monarquia ou república.
• Sistema de governo: presidencialismo ou parlamentarismo.

Assim como acontece em uma eleição, defensores de cada forma e sistema foram aos meios de comunicação, tentando conquistar a preferência do povo. No fim, a república e o presidencialismo venceram, mantendo o país como já estava. Os pró-monarquistas reclamaram da falta de tempo na TV para explicar suas propostas. Para o historiador Estevão Martins, professor de História Contemporânea da Universidade de Brasília, o argumento deles faz sentido.

 “Como não existe partido monarquista no Brasil, a causa foi prejudicada em termos de publicidade. Os monarquistas não puderam ter tempo equivalente ao dos partidos republicanos, o que fez com que a discussão fosse muito mais entre presidencialismo e parlamentarismo.”(...)

21 comentários:

  1. Somente um doente mental votaria a favor da monarquia

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    1. Sua frase é completamente equivocada, porque muitos intelectuais no Brasil defendem a monarquia que é completamente democrática e progressista através do parlamentarismo.

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    2. Eu votaria pois doente mental é essa republica avacalhada que não preta para nada e fazer vairios ladrões
      Isso é uma vergonha. Tiago Gusmão

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  2. SOMENTE UM DESINFORMADO NÃO VOTARIA...

    AS MUDANÇAS QUE O PARLAMENTARISMO MONARQUICO TRAZ AO BRASIL SÃO INCONTESTÁVEIS.

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  3. Porque esqueceram da princesa Dona Leopoldina,também filha de D. Pedro II e Dona Tereza Cristina? Ela deu origem ao terceiro ramo da família imperial os Saxe Coburgo-Bragança.

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    1. Dona Leopoldina era mãe de D. PedroII, não? A Princesa Isabel é que era filha e única herdeira de D. Pedro II. Porque os 2 irmãos dela morreram. Se estiver errada me corrijam, tá?

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    2. Dona Leopoldina era irmã da Princesa Isabel. Pedro segundo teve duas filhas, as duas eram pretedentes ao trono.

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    3. São duas! Tem a Imperatriz Leopoldina, austríaca, primeira esposa de Dom Pedro I, e a Princesa Leopoldina, segunda filha de Dom Pedro II...

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    4. D.Leopoldina esposa de D.Pedro I tanto D.Leopoldina filha de D.Pedro II não são da Dinastia Orleãns & Bragança, por isso não são citada nessa postagen..

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  4. Realmente falta mais estudo por parte do Povo Brasileiro, para considerar a luta e os insvestimentos que a Família Real fizeram e dedicaram para o nosso País; coisa que na república, é o que vemos aí, desorganização, cada um luta por seus próprios interesses e o País vive uma verdadeira desordem, uma falsidade política pois o que eles chamam de "Democracia", na verdade é uma anarquia, pois em uma democracia, as pessoas são livres para decidirem o que querem, mas aquí, os jovens são Obrigados a servirem às forças armadas, e toda a População é obrigada a votar, ambos sob ameaças sociais e políticas. Ora, isso é uma demagogia terrível !
    Salve a Monarquia!!!!
    Ass. Robson Bragança

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    1. Desculpa, mas essa de servir ou não servir às forças armadas e votar ou não votar ser obrigatório ou não, é o de menos. O que nós brasileiros que pelo menos estamos tentando ser patriotas, estamos querendo, é encontrar dirigentes sérios, respeitosos com o nosso país. Com o nosso povo. Não importa nem um pouco ao povo se é república ou monarquia. Queremos seriedade na nossa administração. Só isso. E certas obrigatoriedades ainda existem no Brasil porque muitos entre nós, ainda não estão politicamente educados para agir com democracia. Vamos e convenhamos.

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  5. ESSA REPÚBLICA SÓ SERVE PARA DAR DINHEIRO AOS DEPUTADOS, SÓ ISSO. SÃO 250 MIL POR MÊS, A 513 DEPUTADOS, MULTIPLIQUE ISSO AO MÊS, E DEPOIS AO ANO, É, SE TIVESSE NAS MÃOS DOS DESCENDENTES DE D. PEDRO, ESTARIA MELHOR, ELES SABERIAM QUE, TERIAM QUE INVESTIR NO PAIS, SE NÃO, A OPINIÃO PÚBLICA CAIRIA EM CIMA. ESTUDOS EM PORTUGAL E ESPANHA, COMPROVARAM QUE A MONARQUIA É BEM MAIS ECONÔMICA AO BOLSO DO POVO.

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  6. O Maior desafio dos monarquistas brasileiros é exatamente informa a grande massa dos brasileiros que ainda acham que a Monarquia seria um prejuízo aos cofres públicos.

    Que com uma família no comando do Estado haveria mais corrupção.

    E que monarquia não é DEMOCRÁTICA.

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    1. Concordo com você, mas vou além. Acredito que a grande massa sequer sabe alguma coisa sobre o Império Brasileiro.

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  7. Tiago Gusmão descendente dos Manhãs e Gusmão de Campos/RJ (Tiagoenorma@gmail.com) neto Dna.Olivia Manhães de Gusmão e Otávio Cezar de Gusmão. Trineto do Barão de São João da Barra e o Barão de Abbadia.

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  8. Trineto Barão dee São João da Barra e o Barão de Abbadia e Tataraneto da Baronesa Ana de Gusmão Mecias e neto
    de Olivia Manhães de Gusmão e Otávio Cezar de Gusmão. Filho de Conceição Manhaes de Gusmão.Tiagoenorma@gmail.com

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  9. Quantas asneiras colocaram nesta pagina. Devera ser excluidas. Tiago Gusmão.

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  10. um sem educação ficar xingando e o mal da republica deve esta pensando nos bolças muletas dessa republica lixo o pais esta um caos só sendo sem informação para acreditar na republica e sim eu tenho títulos mas isso mas me faz acima de qualquer pessoa e sim mas humilde debater títulos com um drogado ou que mal sabe escrever cheio de gireas de malandro só sabe xingar não para para se discutir com esse tipo de a analfabeto que acredita nessa republica que se idolatra nas escolas

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  11. por favor os adinistradores podem apagar esse palavrões desrespeitoso que e um absurdo falar que e contra e uma coisa xingar e desrespeito e outra

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