"Nós, os monarcas, somos incontestavelmente constantes em um mundo em constante transformação. Pelo motivo de termos estado sempre aqui, mas também por não nos envolvermos na política cotidiana. Estamos informados das mudanças políticas que acontecem em nossas sociedades, mas não fazemos comentários sobre isso. É nisso que assumimos uma posição única. Nenhum dos outros monarcas europeus interfere na política."

Margarethe II, Rainha da Dinamarca

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Politica de Defesa Nacional



divulgado em 01 Julho 2005




INTRODUÇÃO




1. O ESTADO, A SEGURANÇA e a DEFESA



2. O AMBIENTE INTERNACIONAL



3. O AMBIENTE REGIONAL e o ENTORNO ESTRATÉGICO



4. O BRASIL



5. OBJETIVOS de DEFESA NACIONAL



6. ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS



7. DIRETRIZES



Aprovada pelo DECRETO Nº 5.484, DE 30 DE JUNHO DE 2005.


Aprova a Política de Defesa Nacional, e dá outras providências.



O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,
inciso VI, alínea “a”, da Constituição,




D E C R E T A:




Artigo 1º - Fica aprovada a Política de Defesa Nacional anexa a este Decreto.



Artigo 2º - Os órgãos e entidades da administração pública federal deverão
considerar, em seus planejamentos, ações que concorram para fortalecer a Defesa
Nacional.



Artigo 3º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 30 de junho de 2005; 184º da Independência e 117º da República.



POLÍTICA DE DEFESA NACIONAL.
INTRODUÇÃO

A Política de Defesa Nacional voltada, preponderantemente, para ameaças
externas, é o documento condicionante de mais alto nível do planejamento de
defesa e tem por finalidade estabelecer objetivos e diretrizes para o preparo e o
emprego da capacitação nacional, com o envolvimento dos setores militar e civil,
em todas as esferas do Poder Nacional.




O Ministério da Defesa coordena as ações necessárias à Defesa Nacional.




Esta publicação é composta por uma parte política, que contempla os conceitos, os
ambientes internacional e nacional e os objetivos da defesa. Outra parte, de
estratégia, engloba as orientações e diretrizes.





A Política de Defesa Nacional, tema de interesse de todos os segmentos da
sociedade brasileira, tem como premissas os fundamentos, objetivos e princípios
dispostos na Constituição Federal e encontra-se em consonância com as
orientações governamentais e a política externa do País, a qual se fundamenta na
busca da solução pacífica das controvérsias e no fortalecimento da paz e da
segurança internacionais.





Após um longo período sem que o Brasil participe de conflitos que afetem
diretamente o território nacional, a percepção das ameaças está desvanecida para
muitos brasileiros.





Porém, é imprudente imaginar que um país com o potencial do Brasil não tenha
disputas ou antagonismos ao buscar alcançar seus legítimos interesses.





Um dos propósitos da Política de Defesa Nacional é conscientizar todos os
segmentos da sociedade brasileira de que a defesa da Nação é um dever de todos
os brasileiros.



1. O ESTADO, A SEGURANÇA E A DEFESA.




1. O Estado tem como pressupostos básicos o território, o povo, leis e governo
próprios e independência nas relações externas.
Ele detém o monopólio legítimo dos meios de coerção para fazer valer a lei e a
ordem, estabelecidas democraticamente, provendo-lhes, também, a segurança.




2. Nos primórdios, a segurança era vista somente pelo ângulo da confrontação
entre Estados, ou seja, da necessidade básica de defesa externa. À medida que as
sociedades se desenvolveram, novas exigências foram agregadas, além da
ameaça de ataques externos.





3. Gradualmente, o conceito de segurança foi ampliado, abrangendo os campos
político, militar, econômico, social, ambiental e outros. Entretanto, a defesa externa
permanece como papel primordial das Forças Armadas no âmbito interestatal.




As medidas que visam à segurança são de largo espectro, envolvendo, além da
defesa externa: defesa civil; segurança pública; políticas econômicas, de saúde,
educacionais, ambientais e outras áreas, muitas das quais não são tratadas por
meio dos instrumentos político-militares.




Cabe considerar que a segurança pode ser enfocada a partir do indivíduo, da
sociedade e do Estado, do que resultam definições com diferentes perspectivas.




A segurança, em linhas gerais, é a condição em que o Estado, a sociedade ou os
indivíduos não se sentem expostos a riscos ou ameaças, enquanto que defesa é
ação efetiva para se obter ou manter o grau de segurança desejado.




Especialistas convocados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em
Tashkent, no ano de 1990, definiram a segurança como
“uma condição pela qual os
Estados consideram que não existe perigo de uma agressão militar, pressões
políticas ou coerção econômica, de maneira que podem dedicar-se livremente a
seu próprio desenvolvimento e progresso”.




4. Para efeito da Política de Defesa Nacional, são adotados os seguintes
conceitos:




I - Segurança é a condição que permite ao País a preservação da soberania e da
integridade territorial, a realização dos seus interesses nacionais, livre de pressões
e ameaças de qualquer natureza, e a garantia aos cidadãos do exercício dos
direitos e deveres constitucionais;




II - Defesa Nacional é o conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase na
expressão militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses
nacionais contra ameaças preponderantemente
externas, potenciais ou manifestas.


2. O AMBIENTE INTERNACIONAL




1. O mundo vive desafios mais complexos do que os enfrentados durante o
período passado de confrontação ideológica bipolar.




O fim da Guerra Fria reduziu o grau de previsibilidade das relações internacionais
vigentes desde a 2ª Guerra Mundial.




Nesse ambiente, é pouco provável um conflito generalizado entre Estados.
Entretanto, renovaram-se no mundo conflitos de caráter étnico e religioso, a
exacerbação de nacionalismos e a fragmentação de Estados, com um vigor que
ameaça a ordem mundial.




Neste século, poderão ser intensificadas disputas por áreas marítimas, pelo
domínio aeroespacial e por fontes de água doce e de energia, cada vez mais
escassas. Tais questões poderão levar a ingerências em assuntos internos,
configurando quadros de conflito.




Com a ocupação dos últimos espaços terrestres, as fronteiras continuarão a ser
motivo de litígios internacionais.




2. O fenômeno da globalização, caracterizado pela interdependência crescente
dos países, pela revolução tecnológica e pela expansão do comércio internacional
e dos fluxos de capitais, resultou em avanços para uma parte da humanidade.




Paralelamente, a criação de blocos econômicos tem resultado em arranjos
competitivos. Para os países em desenvolvimento, o desafio é o de uma inserção
positiva no mercado mundial.




Nesse processo, as economias nacionais tornaram-se mais vulneráveis às crises
ocasionadas pela instabilidade econômica e financeira em todo o mundo. A
crescente exclusão de parcela significativa da população mundial dos processos de
produção, consumo e acesso à informação constitui fonte potencial de conflitos.




3. A configuração da ordem internacional baseada na unipolaridade no campo
militar associada às assimetrias de poder produz tensões e instabilidades
indesejáveis para a paz.




A prevalência do multilateralismo e o fortalecimento dos princípios consagrados
pelo direito internacional como a soberania, a não-intervenção e a igualdade entre
os Estados, são promotores de um mundo mais estável, voltado para o
desenvolvimento e bem estar da humanidade.




4. A questão ambiental permanece como uma das preocupações da humanidade.
Países detentores de grande biodiversidade, enormes reservas de recursos
naturais e imensas áreas para serem incorporadas ao sistema produtivo podem
tornar-se objeto de interesse internacional.




5. Os avanços da tecnologia da informação, a utilização de satélites, o
sensoriamento eletrônico e inúmeros outros aperfeiçoamentos tecnológicos
trouxeram maior eficiência aos sistemas administrativos e militares, sobretudo nos
países que dedicam maiores recursos financeiros à Defesa.





Em conseqüência, criaram-se vulnerabilidades que poderão ser exploradas, com o objetivo de
inviabilizar o uso dos nossos sistemas ou facilitar a interferência à distância.




6. Atualmente, atores não-estatais, novas ameaças e a contraposição entre o
nacionalismo e o transnacionalismo permeiam as relações internacionais e os
arranjos de segurança dos Estados.





Os delitos transnacionais de natureza variada
e o terrorismo internacional são ameaças à paz, à segurança e à ordem
democrática, normalmente, enfrentadas com os instrumentos de inteligência e de
segurança dos Estados.



3. O AMBIENTE REGIONAL E O ENTORNO ESTRATÉGICO.




1. O subcontinente da América do Sul é o ambiente regional no qual o Brasil se
insere.Buscando aprofundar seus laços de cooperação, o País visualiza um entorno
estratégico que extrapola a massa do subcontinente e incluiu a projeção pela
fronteira do Atlântico Sul e os países lindeiros da África.





2. A América do Sul, distante dos principais focos mundiais de tensão e livre de
armas nucleares, é considerada uma região relativamente pacífica. Além disso,
processos de consolidação democrática e de integração regional tendem a
aumentar a confiabilidade regional e a solução negociada dos conflitos.




3. Entre os processos que contribuem para reduzir a possibilidade de conflitos no
entorno estratégico, destacam-se: o fortalecimento do processo de integração, a
partir do Mercosul, da Comunidade Andina de Nações e da Comunidade Sul-
Americana de Nações;
o estreito relacionamento entre os países amazônicos, no
âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica; a intensificação da
cooperação e do comércio com países africanos, facilitada pelos laços étnicos e
culturais; e a consolidação da Zona de Paz e de Cooperação do Atlântico Sul .





A ampliação e a modernização da infra-estrutura da América do Sul podem
concretizar a ligação entre seus centros produtivos e os dois oceanos, facilitando o
desenvolvimento e a integração.





4. A segurança de um país é afetada pelo grau de instabilidade da região onde
está inserido. Assim, é desejável que ocorram: o consenso; a harmonia política; e a
convergência de ações entre os países vizinhos, visando lograr a redução da
criminalidade transnacional, na busca de melhores condições para o
desenvolvimento econômico e social que tornarão a região mais coesa e mais forte.



5. A existência de zonas de instabilidade e de ilícitos transnacionais pode provocar
o transbordamento de conflitos para outros países da América do Sul. A
persistência desses focos de incertezas impõe que a defesa do Estado seja vista
com prioridade, para preservar os interesses nacionais, a soberania e a
independência.





6. Como conseqüência de sua situação geopolítica, é importante para o Brasil que
se aprofunde o processo de desenvolvimento integrado e harmônico da América do
Sul, o que se estende, naturalmente, à área de defesa e segurança regionais.









4. O BRASIL.




1. O perfil brasileiro - ao mesmo tempo continental e marítimo, equatorial, tropical
e subtropical, de longa fronteira terrestre com a quase totalidade dos países sulamericanos
e de extenso litoral e águas jurisdicionais - confere ao País profundidade geoestratégica e torna complexa a tarefa do planejamento geral de defesa.








Dessa maneira, a diversificada fisiografia nacional conforma cenários diferenciados que, em termos de defesa, demandam, ao mesmo tempo, política geral e abordagem específica para cada caso.




2. A vertente continental brasileira contempla complexa variedade fisiográfica, que
pode ser sintetizada em cinco macro-regiões.




3. O planejamento da defesa inclui todas as regiões e, em particular, as áreas
vitais onde se encontra maior concentração de poder político e econômico.
Complementarmente, prioriza a Amazônia e o Atlântico Sul pela riqueza de
recursos e vulnerabilidade de acesso pelas fronteiras terrestre e marítima.




4. A Amazônia brasileira, com seu grande potencial de riquezas minerais e de
biodiversidade, é foco da atenção internacional. A garantia da presença do Estado
e a vivificação da faixa de fronteira são dificultadas pela baixa densidade
demográfica e pelas longas distâncias, associadas à precariedade do sistema de
transportes terrestre, o que condiciona o uso das hidrovias e do transporte aéreo
como principais alternativas de acesso.








Estas características facilitam a prática de ilícitos transnacionais e crimes conexos, além de possibilitar a presença de grupos com objetivos contrários aos interesses nacionais. A vivificação, política indigenista adequada, a exploração sustentável dos recursos naturais e a proteção ao meioambiente são aspectos essenciais para o desenvolvimento e a integração da região.




O adensamento da presença do Estado, e em particular das Forças Armadas, ao
longo das nossas fronteiras, é condição necessária para conquista dos objetivos de
estabilização e desenvolvimento integrado da Amazônia.





5. O mar sempre esteve relacionado com o progresso do Brasil, desde o seu descobrimento. A natural vocação marítima brasileira é respaldada pelo seu extenso litoral e pela importância estratégica que representa o Atlântico Sul.




A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar permitiu ao Brasil estender
os limites da sua Plataforma Continental e exercer o direito de jurisdição sobre os
recursos econômicos em uma área de cerca de 4,5 milhões de quilômetros
quadrados, região de vital importância para o País, uma verdadeira
“Amazônia
Azul”.





Nessa imensa área estão as maiores reservas de petróleo e gás, fontes de energia
imprescindíveis para o desenvolvimento do País, além da existência de potencial
pesqueiro.





A globalização aumentou a interdependência econômica dos países e, conseqüentemente, o fluxo de cargas. No Brasil, o transporte marítimo é responsável por movimentar a quase totalidade do comércio exterior.




6. Às vertentes continental e marítima sobrepõe-se dimensão aeroespacial, de
suma importância para a Defesa Nacional. O controle do espaço aéreo e a sua boa
articulação com os países vizinhos, assim como o desenvolvimento de nossa
capacitação aeroespacial, constituem objetivos setoriais prioritários.




7. O Brasil propugna uma ordem internacional baseada na democracia, no
multilateralismo, na cooperação, na proscrição das armas químicas, biológicas e
nucleares e na busca da paz entre as nações.








Nessa direção, defende a reformulação e a democratização das instâncias decisórias dos organismos internacionais, como forma de reforçar a solução pacífica de controvérsias e sua confiança nos princípios e normas do Direito Internacional. No entanto, não é prudente conceber um país sem capacidade de defesa compatível com sua estatura e aspirações políticas.




8. A Constituição Federal de 1988 tem como um de seus princípios, nas relações
internacionais, o repúdio ao terrorismo. O Brasil considera que o terrorismo
internacional constitui risco à paz e à segurança mundiais. Condena enfaticamente
suas ações e apóia as resoluções emanadas pela ONU, reconhecendo a
necessidade de que as nações trabalhem em conjunto no sentido de prevenir e
combater as ameaças terroristas.





9. O Brasil atribui prioridade aos países da América do Sul e da África, em
especial aos da África Austral e aos de língua portuguesa, buscando aprofundar
seus laços com esses países.





10. A intensificação da cooperação com a Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP), integrada por oito países distribuídos por quatro continentes e
unidos pelos denominadores comuns da história, da cultura e da língua, constitui
outro fator relevante das nossas relações exteriores.




11. O Brasil tem laços de cooperação com países e blocos tradicionalmente
aliados que possibilitam a troca de conhecimento em diversos campos.
Concomitantemente, busca novas parcerias estratégicas com nações
desenvolvidas ou emergentes para ampliar esses intercâmbios.





12. O Brasil atua na comunidade internacional respeitando os princípios
constitucionais de autodeterminação, não-intervenção e igualdade entre os
Estados. Nessas condições, sob a égide de organismos multilaterais, participa de
operações de paz, visando a contribuir para a paz e a segurança internacionais.




13. A persistência de entraves à paz mundial requer a atualização permanente e o
reaparelhamento progressivo das nossas Forças Armadas, com ênfase no
desenvolvimento da indústria de defesa, visando à redução da dependência
tecnológica e à superação das restrições unilaterais de acesso a tecnologias
sensíveis.






14. Em consonância com a busca da paz e da segurança internacionais, o País é
signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e destaca a
necessidade do cumprimento do Artigo VI, que prevê a negociação para a
eliminação total das armas nucleares por parte das potências nucleares,
ressalvando o uso da tecnologia nuclear como bem econômico para fins pacíficos.




15. O contínuo desenvolvimento brasileiro traz implicações crescentes para o
campo energético com reflexos em sua segurança. Cabe ao País assegurar matriz
energética diversificada que explore as potencialidades de todos os recursos
naturais disponíveis.









5. OBJETIVOS DA DEFESA NACIONAL.





As relações internacionais são pautadas por complexo jogo de atores, interesses e
normas que estimulam ou limitam o poder e o prestígio das Nações. Nesse
contexto de múltiplas influências e de interdependência, os países buscam realizar
seus interesses nacionais, podendo gerar associações ou conflitos de variadas
intensidades.




Dessa forma, torna-se essencial estruturar a Defesa Nacional de modo compatível
com a estatura político-estratégica para preservar a soberania e os interesses
nacionais em compatibilidade com os interesses da nossa região.








Assim, da avaliação dos ambientes descritos, emergem objetivos da Defesa Nacional:








I - a garantia da soberania, do patrimônio nacional e da integridade territorial;




II - a defesa dos interesses nacionais e das pessoas, dos bens e dos recursos brasileiros no exterior;




III - a contribuição para a preservação da coesão e unidade nacionais;




IV - a promoção da estabilidade regional;




V - a contribuição para a manutenção da paz e da segurança internacionais; e




VI - a projeção do Brasil no concerto das nações e sua maior inserção em
processos decisórios internacionais.












6. ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS.





1. A atuação do Estado brasileiro em relação à defesa tem como fundamento a
obrigação de contribuir para a elevação do nível de segurança do País, tanto em
tempo de paz, quanto em situação de conflito.




2. A vertente preventiva da Defesa Nacional reside na valorização da ação
diplomática como instrumento primeiro de solução de conflitos e em postura
estratégica baseada na existência de capacidade militar com credibilidade, apta a
gerar efeito dissuasório.





Baseia-se, para tanto, nos seguintes pressupostos básicos:




I - fronteiras e limites perfeitamente definidos e reconhecidos internacionalmente;




II - estreito relacionamento com os países vizinhos e com a comunidade
internacional baseado na confiança e no respeito mútuos;




III - rejeição à guerra de conquista;




IV - busca da solução pacífica de controvérsias;




V - valorização dos foros multilaterais;




VI - existência de forças armadas modernas, balanceadas e aprestadas; e




VII - capacidade de mobilização nacional.








3. A vertente reativa da defesa, no caso de ocorrer agressão ao País, empregará
todo o poder nacional, com ênfase na expressão militar, exercendo o direito de
legítima defesa previsto na Carta da ONU.





4. Em conflito de maior extensão, de forma coerente com sua história e o cenário
vislumbrado, o Brasil poderá participar de arranjo de defesa coletiva autorizado pelo
Conselho de Segurança da ONU.




5. No gerenciamento de crises internacionais de natureza político-estratégica, o
Governo determinará a articulação dos diversos setores envolvidos. O emprego das
Forças Armadas poderá ocorrer de diferentes formas, de acordo com os interesses
nacionais.




6. A expressão militar do País fundamenta-se na capacidade das Forças Armadas
e no potencial dos recursos nacionais mobilizáveis.




7. As Forças Armadas devem estar ajustadas à estatura políticoestratégica do
País, considerando-se, dentre outros fatores, a dimensão geográfica, a capacidade
econômica e a população existente.




8. A ausência de litígios bélicos manifestos, a natureza difusa das atuais ameaças
e o elevado grau de incertezas, produto da velocidade com que as mudanças
ocorrem, exigem ênfase na atividade de inteligência e na capacidade de pronta
resposta das Forças Armadas, às quais estão subjacentes características, tais
como versatilidade, interoperabilidade, sustentabilidade e mobilidade estratégica,
por meio de forças leves e flexíveis, aptas a atuarem de modo combinado e a
cumprirem diferentes tipos de missões.




9. O fortalecimento da capacitação do País no campo da defesa é essencial e
deve ser obtido com o envolvimento permanente dos setores governamental,
industrial e acadêmico, voltados à produção científica e tecnológica e para a
inovação. O desenvolvimento da indústria de defesa, incluindo o domínio de
tecnologias de uso dual, é fundamental para alcançar o abastecimento seguro e
previsível de materiais e serviços de defesa.




10. A integração regional da indústria de defesa, a exemplo do Mercosul, deve ser
objeto de medidas que propiciem o desenvolvimento mútuo, a ampliação dos
mercados e a obtenção de autonomia estratégica.




11. Além dos países e blocos tradicionalmente aliados, o Brasil deverá buscar
outras parcerias estratégicas, visando a ampliar as oportunidades de intercâmbio e
a geração de confiança na área de defesa.






12. Em virtude da importância estratégica e da riqueza que abrigam, a Amazônia
brasileira e o Atlântico Sul são áreas prioritárias para a Defesa Nacional.





13. Para contrapor-se às ameaças à Amazônia, é imprescindível executar uma
série de ações estratégicas voltadas para o fortalecimento da presença militar,
efetiva ação do Estado no desenvolvimento sócio-econômico e ampliação da
cooperação com os países vizinhos, visando à defesa das riquezas naturais e do
meio ambiente.





14. No Atlântico Sul, é necessário que o País disponha de meios com capacidade
de exercer a vigilância e a defesa das águas jurisdicionais brasileiras, bem como
manter a segurança das linhas de comunicações marítimas.





15. O Brasil precisa dispor de meios e capacidade de exercer a vigilância, o
controle e a defesa do seu espaço aéreo, aí incluídas as áreas continental e
marítima, bem como manter a segurança das linhas de navegação aéreas.





16. Com base na Constituição Federal e em prol da Defesa Nacional, as Forças
Armadas poderão ser empregadas contra ameaças internas, visando à preservação
do exercício da soberania do Estado e à indissolubilidade da unidade federativa.





17. Para ampliar a projeção do País no concerto mundial e reafirmar seu
compromisso com a defesa da paz e com a cooperação entre os povos, o Brasil
deverá intensificar sua participação em ações humanitárias e em missões de paz
sob a égide de organismos multilaterais.





18. Com base na Constituição Federal e nos atos internacionais ratificados, que
repudiam e condenam o terrorismo, é imprescindível que o País disponha de
estrutura ágil, capaz de prevenir ações terroristas e de conduzir operações de
contraterrorismo.





19. Para minimizar os danos de possível ataque cibernético, é essencial a busca
permanente do aperfeiçoamento dos dispositivos de segurança e a adoção de
procedimentos que reduzam a vulnerabilidade dos sistemas e permitam seu pronto
restabelecimento.





20. O desenvolvimento de mentalidade de defesa no seio da sociedade brasileira
é fundamental para sensibilizá-la acerca da importância das questões que
envolvam ameaças à soberania, aos interesses nacionais e à integridade territorial
do País.





21. É prioritário assegurar a previsibilidade na alocação de recursos, em
quantidade suficiente, para permitir o preparo adequado das Forças Armadas.


22. O emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem não se insere
no contexto deste documento e ocorre de acordo com legislação específica









7. DIRETRIZES.




1. As políticas e ações definidas pelos diversos setores do Estado brasileiro
deverão contribuir para a consecução dos objetivos da Defesa Nacional. Para
alcançá-los, devem-se observar as seguintes diretrizes estratégicas:


I - manter forças estratégicas em condições de emprego imediato, para a solução
de conflitos;



II - dispor de meios militares com capacidade de salvaguardar as pessoas, os bens
e os recursos brasileiros no exterior;



III - aperfeiçoar a capacidade de comando e controle e do sistema de inteligência
dos órgãos envolvidos na Defesa Nacional;



IV - incrementar a interoperabilidade entre as Forças Armadas, ampliando o
emprego combinado;



V - aprimorar a vigilância, o controle e a defesa das fronteiras, das águas
jurisdicionais e do espaço aéreo do Brasil;



VI - aumentar a presença militar nas áreas estratégicas do Atlântico Sul e da
Amazônia brasileira;



VII - garantir recursos suficientes e contínuos que proporcionem condições efetivas
de preparo e emprego das Forças Armadas e demais órgãos envolvidos na Defesa
Nacional, em consonância com a estatura político-estratégica do País;



VIII - aperfeiçoar processos para o gerenciamento de crises de natureza políticoestratégica;



IX - implantar o Sistema Nacional de Mobilização e aprimorar a logística militar;



X - proteger as linhas de comunicações marítimas de importância vital para o País;



XI - dispor de estrutura capaz de contribuir para a prevenção de atos terroristas e
de conduzir operações de contraterrorismo;



XII - aperfeiçoar os dispositivos e procedimentos de segurança que reduzam a
vulnerabilidade dos sistemas relacionados à Defesa Nacional contra ataques
cibernéticos e, se for o caso, permitam seu pronto restabelecimento;



XIII - fortalecer a infra-estrutura de valor estratégico para a Defesa Nacional,
prioritariamente a de transporte, energia e comunicações;



XIV - promover a interação das demais políticas governamentais com a Política de
Defesa Nacional;



XV - implementar ações para desenvolver e integrar a região amazônica, com apoio
da sociedade, visando, em especial, ao desenvolvimento e à vivificação da faixa de
fronteira;



XVI - incentivar a conscientização da sociedade para os assuntos de Defesa
Nacional;



XVII - estimular a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a
capacidade de produção de materiais e serviços de interesse para a defesa;



XVIII - intensificar o intercâmbio das Forças Armadas entre si e com as
universidades, instituições de pesquisa e indústrias, nas áreas de interesse de
defesa;



XIX - atuar para a manutenção de clima de paz e cooperação nas áreas de




XX - intensificar o intercâmbio com as Forças Armadas das nações amigas,
particularmente com as da América do Sul e as da África, lindeiras ao Atlântico Sul;



XXI - contribuir ativamente para o fortalecimento, a expansão e a consolidação da
integração regional com ênfase no desenvolvimento de base industrial de defesa;



XXII - participar ativamente nos processos de decisão do destino da região
Antártica;



XXIII - dispor de capacidade de projeção de poder, visando à eventual participação
em operações estabelecidas ou autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU;



XXIV - criar novas parcerias com países que possam contribuir para o
desenvolvimento de tecnologias de interesse da defesa;



XXV - participar de missões de paz e ações humanitárias, de acordo com os
interesses nacionais; e



XXVI - participar crescentemente dos processos internacionais relevantes de
tomada de decisão, aprimorando e aumentando a capacidade de negociação do
Brasil.

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