"Nós, os monarcas, somos incontestavelmente constantes em um mundo em constante transformação. Pelo motivo de termos estado sempre aqui, mas também por não nos envolvermos na política cotidiana. Estamos informados das mudanças políticas que acontecem em nossas sociedades, mas não fazemos comentários sobre isso. É nisso que assumimos uma posição única. Nenhum dos outros monarcas europeus interfere na política."

Margarethe II, Rainha da Dinamarca

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O Príncipe do Brasil


Após as excelentes entrevistas ao jornal alemão “FrankfutterAllgemaine” e à revista francesa “Point de Vue”, S.A.R. o Príncipe Dom Rafael do Brasil concedeu uma entrevista ao site americano “Fusion”. Sua Alteza falou sobre sua vida e carreira, sobre seu preparo para servir ao Brasil e suas perspectivas com relação à restauração da Monarquia no Brasil. A matéria também inclui informações interessantes sobre o crescente Movimento Monarquista em nosso País.


Segue a tradução:


CONHEÇA O HOMEM QUE NASCEU PARA SER IMPERADOR DO BRASIL

SÃO PAULO – O Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança conta que ele terá de se casar com uma Princesa para manter seus direitos sucessórios ao Trono Brasileiro. Mas essa é uma tradição familiar que ele está disposto a manter viva, mesmo que não haja muitas Princesas disponíveis para escolher no Brasil.

“Eu preciso encontrar alguém que me complete”, diz o herdeiro brasileiro. “E isto significa que tenho de encontrar alguém que seja capaz de me acompanhar nesse destino.”

Estamos sentados em um bar na vizinhança, cuja especialidade é carne de coelho. Mas não estamos aqui para comer. Eu vim aqui para aprender mais sobre a vida do Príncipe Dom Rafael, e sobre o curioso movimento político que espera restaurar a Monarquia de sua Família.

O belo homem de trinta anos é tetraneto do último Imperador do Brasil, Dom Pedro II. A Monarquia se foi, mas não foi esquecida. E dado o estado lamentável da democracia brasileira, há algumas pessoas que pensam que é hora de dar à Coroa uma nova chance de governar. É uma ideia que se encaixa bem como os planos do Príncipe Dom Rafael para o futuro.

“É uma ideia antiquada, mas acredito que funciona,” o Príncipe Dom Rafael, vestido com um blazer elegante e jeans escuros, diz para mim, enquanto bebemos um café. “Alguns dos países mais bem-sucedidos da Europa são Monarquias Parlamentaristas.



O Movimento Monarquista do Brasil ainda é razoavelmente pequeno, e críticos zombam da ideia de que uma das maiores economias do mundo possa retornar a uma forma de governo que foi descartada em toda a América [1].

No entanto, recentemente tem havido um aumento considerável no interesse online pelo Movimento, uma vez que o Brasil se vê envolto em um escândalo de corrupção multibilionário e uma briga por poder no Congresso, que levou ao impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

Os apoiadores da Monarquia apontam que a classe política brasileira perdeu toda a credibilidade, e acreditam que alguém com uma vocação superior precisa vigiá-los.

“Desde que eles são crianças, Monarcas são ensinados a defender seu país e os interesses do seu povo”, diz Oscar Capra, um monarquista que levou uma bandeira do Império, ao recente desfile do Dia da Independência do Brasil, no Rio de Janeiro. “Os políticos representam apenas o interesse dos seus partidos e trocam favores com seus patrocinadores de campanha.”

Durante o desfile, cerca de sessenta monarquistas enfrentaram o sol forte, enquanto tremulavam bandeiras do Império e distribuíam adesivos mostrando o Brasão da Monarquia Brasileira, do século XIX. Depois que terminou o desfile, os monarquistas, pacientemente, fizeram fila para tirar fotos com o Príncipe Dom Pedro Alberto, um dos primos do Príncipe Dom Rafael, que não está na linha de sucessão ao Trono.

“As pessoas estão buscando por algo diferente, e elas estão se lembrando de que houve algo diferente”, o Príncipe Dom Rafael me contou.

O jovem Príncipe é o quarto na linha de sucessão ao Trono Brasileiro, e os três Príncipes à sua frente têm entre oitenta e setenta anos [2].

O futuro Imperador afirma que sua Família está pronta para, mais uma vez, liderar esta Nação sul-americana de duzentos milhões de habitantes... Se os brasileiros votarem para lhes devolver o Trono.



“Nós não queremos usar a força militar para derrubar o governo”, ele me assegura, com toda seriedade. “E não estamos falando de uma Monarquia absoluta... O Chefe de Governo ainda teria controle sobre as políticas de governo.”

Os monarquistas explicam que a Família Imperial serviria como o quarto Poder governamental. Seria uma instituição hereditária que iria “representar o povo” e garantir um peso e contrapeso adicionais ao Judiciário, Legislativo e Executivo, além de representar o Brasil em eventos internacionais.

Um dos ideais do Movimento é dar ao Monarca o poder de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, em tempos de crise política ou sempre que o congresso ficar muito envolvido em casos de corrupção.

Os monarquistas também querem que o Brasil se lembre de que o governo da realeza já se encontra no DNA nacional.

Ao contrário dos Estados Unidos e o resto da América Latina, que se desfizeram de Dinastias européias para se tornarem Repúblicas independentes [3], a Independência do Brasil se deu substituindo uma Coroa por outra. O País se tornou independente de Portugal sob a liderança de um Príncipe português, que estabeleceu seu próprio Trono no Rio de Janeiro.

O Príncipe se tornou o Imperador Dom Pedro I, e ele foi sucedido por seu filho, o Imperador Dom Pedro II, que governou o Brasil de 1831 a 1889, quando foi deposto por um golpe de Estado [4].

Os monarquistas explicam que o Imperador Dom Pedro II foi um líder esclarecido, que unificou o País e ajudou a transformá-lo em uma das maiores economias do mundo do século XIX. A posição forte do Brasil lhe permitiu expandir seu território, em detrimento dos países mais fracos da América Latina, que estavam envoltos em guerras civis ou disputas políticas.



Eles também garantem que seu Movimento é sério e viável. Durante o Plebiscito de 1993, onde os brasileiros foram questionados acerca da forma de governo que preferiam, 13% optaram por uma Monarquia Parlamentarista. Apesar de a Monarquia ter perdido para a República Presidencialista por uma margem grande, os monarquistas afirmam que a ideia não foi esquecida.

Os apoiadores do regime monárquico realizam uma série de conferências ao redor do País, todos os anos, e, recentemente, passaram a usar as redes sociais para expandir seu alcance e divulgar sua causa. Vários grupos favoráveis à Monarquia surgiram no Facebook, durante os dois últimos anos, e alguns partidos políticos monarquistas tentaram conseguir registro para disputar as eleições.

Ainda é um Movimento pequeno. A maior página monarquista do Facebook tem 31 mil seguidores [5], uma gota no oceano para um País com 100 milhões de usuários de Internet. Mas a esperança é a última que morre.

“Nós podemos ser não muito conhecidos, mas se educarmos mais as pessoas, acredito que interesse pelo assunto irá crescer”, diz Charlô Ferreson, uma cabeleireira que veio ao desfile do Dia da Independência, para mostrar seu apoio à Monarquia.

Monarquistas argumentam que, durante a maior parte do século XX, seu Movimento era proibido pela lei. Isso mudou apenas com a redemocratização, em 1988.

“A República tentou apagar nossa história”, diz o apoiador da Monarquia Oscar Capra.

O Príncipe Dom Rafael diz que, enquanto o Movimento cresce, ele irá continuar trabalhando como executivo de vendas de uma cervejaria multinacional. E, de alguma forma, ele terá de encontrar uma esposa na Europa, uma vez que famílias nobres são difíceis de serem encontradas no Novo Mundo.

“Eu não quero terminar me casando com uma prima”, ele diz, rindo.

Enquanto isso, ele continuará se comportando como sendo da realeza.

“Eu sempre fui ensinado que tenho uma posição diferente da dos demais”, o Príncipe Dom Rafael explica. “De modo que tenho que ser sério e responsável com relação a isso.”



Notas da tradução:

1. O autor parece não saber que, além dos reinos caribenhos da Comunidade Britânica e do Reino dos Países Baixos, o Canadá também é uma Monarquia, além de ser um dos países mais desenvolvidos e democráticos do mundo.

2. Na verdade, os três Príncipes à frente do Príncipe Dom Rafael na sucessão são seus tios, S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, de 78 anos; S.A.I.R. o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, de 75 anos; e seu pai, S.A.R. o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, Príncipe do Brasil, de 66 anos.

3. Ver nota número 1; além disso, o México também foi uma Monarquia Constitucional por dois períodos, no século XIX.

4. No original, o autor diz que o Imperador Dom Pedro II abdicou; para facilitar a compreensão, preferimos fazer a correção já na tradução.

5. Esta seria a página da Pró Monarquia – Casa Imperial do Brasil; o original diz que são apenas 29 mil seguidores, portanto, mais uma vez, decidimos fazer a correção já no texto.

3 comentários:

  1. Infelizmente, o brasileiro não entende que a família real é muito menos custosa do que esses bandos de vagabundos que ficam usurpando do nosso dinheiro. E que caso fosse como em determinados países da Europa, como Dinamarca, por exemplo, um escândalo de corrupção seria resolvido facilmente. Além do que, é errado pensar que a família real seria sustentada pelo povo, uma vez que ela já tem posses o bastante para isso, basta analisar todo o tempo que eles estão fora do poder, e continuam mantendo suas posições e patrimônios. Porém, mesmo que não tivesse, não se trata de condições econômicas, e sim de nobreza. Isso está no sangue, e quando falo em nobreza não é no sentido literal da palavra, mas sim no que tange a postura, educação, estirpe. Ou seja, tem condições propícias para ocupar cargos importantes e posições, pois isso, já é cultural em sua linhagem. Mas enfim... Apesar de defender o regime, o Brasil é um país de gente alienada, e creio que enquanto tivermos nas escolas esse ensino pífio de história, exaltando Marechal Deodoro da Fonseca, como um grande herói e homem, ficará extremamente penoso clarear as mentes de nossas crianças, a base para uma mudança real. Esperança é a última que morre!

    OBS: Pode se pensar que num regime democrático seria errado alguns serem elegíveis a determinadas posições por direito, o que tiraria a ideia de que qualquer um pode ocupar o máximo do poder. Mas isso, já ocorre numa monarquia parlamentarista, o primeiro ministro é alguém do povo. O fato de ser da família real ou não, é um mero detalhe. Até porque não é uma escolha, é um direito! Você já nasce com esse dever, particularmente, acho que isso pode ser até um fardo, em contraposição com privilégio. Basta analisar, por exemplo, o caso do rei Eduardo VIII que abriu mão do trono por questões de união matrimonial fora das normas monárquicas. É uma responsabilidade muito grande, e nem todos a querem.

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    1. Anônimo, a Rede Imperial é Pela Volta da Monarquia não porque acredita em "Nobreza,Sangue,Estirpe,Postura, Educação ou Sangue" e sim porque o Parlamentarismo Monárquico é a melhor ferramenta para nós o povo que realmente detêm o "Poder" de mudar esse pais e torná-lo o que ele nasceu para ser. Quem ira fazer essa mudança somos nós e não o Imperador.

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    2. http://rede-imperial.blogspot.com.br/2014/06/o-artigo-5-da-constituicao-federal.html

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